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O Subir e o Descer da Vida
O Subir e o Descer da Vida

O subir e descer da vida
13/04/26- Ironi Jaeger

Há uma beleza silenciosa naquilo que cresce rente ao chão.


A relva fresca, úmida, quase invisível aos olhos apressados, abriga um mundo inteiro que ninguém vê.
Pequenos organismos vivem ali, trabalham, se transformam, sustentam ciclos inteiros sem jamais serem notados.
É um universo escondido sob os pés de quem passa com pressa — e talvez por isso mesmo, tão verdadeiro.

O ser humano, curiosamente, também tem sua relva interna.
Há sentimentos que não mostramos. Medos que não confessamos. Pequenas alegrias que não cabem em palavras.
Dentro de cada um de nós existe esse terreno baixo, fértil e secreto, onde vivem emoções microscópicas que, somadas, sustentam tudo o que somos. São as memórias esquecidas, as dores antigas, os sonhos tímidos. Não aparecem nas fotos, não entram nas conversas, mas estão ali — vivos, trabalhando em silêncio.

Mas o ser humano também é árvore.
Há em nós o desejo de altura. De crescer, de aparecer, de alcançar o céu mesmo sem saber exatamente o que há lá. Como no topo das árvores, buscamos luz. Queremos ser vistos, reconhecidos, tocados pelo sol. Exibimos nossas folhas mais bonitas, nossos galhos mais fortes, tentando provar — aos outros e a nós mesmos — que somos grandiosos.

Só que, lá no alto, o vento é mais forte.
E nem sempre estamos preparados para isso.
Enquanto a relva permanece protegida, úmida, quase abraçada pela terra, o topo das árvores enfrenta tempestades, raios e ventanias
. Crescer tem seu preço. Aparecer também. E, às vezes, na ânsia de ser árvore, esquecemos de cuidar da relva que nos sustenta.

Talvez o segredo não seja em escolher entre ser chão ou altura.
Mas em entender que somos os dois.


Somos o que ninguém vê e o que todos observam. Somos a fragilidade escondida e a força exibida. Somos raízes silenciosas e galhos expostos. E quando conseguimos aceitar isso — quando paramos de negar nossa própria relva e deixamos de exigir grandeza o tempo todo — algo dentro de nós encontra equilíbrio.

Porque até a árvore mais alta depende, inevitavelmente, daquilo que cresce lá embaixo.
E talvez seja ali, no invisível, que a vida realmente começa. Sejamos relva quando necessário e sejamos humildes quando alcançarmos o topo da árvore.